Mercado de Trabalho Archives - Fábio Figueredo https://fabiofigueredo.com.br/category/mercado-de-trabalho/ Professor, UX e Governança de IA Thu, 08 Oct 2026 23:30:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://fabiofigueredo.com.br/wp-content/uploads/2026/10/cropped-cropped-Logo-FF-Laranja-em-Fundo-Transparente-1-32x32.png Mercado de Trabalho Archives - Fábio Figueredo https://fabiofigueredo.com.br/category/mercado-de-trabalho/ 32 32 Conhecimento as a Service – A evolução do Xtreme Go Horse? https://fabiofigueredo.com.br/2026/10/08/conhecimento-as-a-service-a-evolucao-do-xtreme-go-horse/ https://fabiofigueredo.com.br/2026/10/08/conhecimento-as-a-service-a-evolucao-do-xtreme-go-horse/#respond Thu, 08 Oct 2026 23:10:36 +0000 https://fabiofigueredo.com.br/?p=65 As pessoas estão entregando bons resultados no trabalho, os alunos estão entregando atividades muito completas e profundas nas salas de aula, mas talvez nunca se tenha…

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As pessoas estão entregando bons resultados no trabalho, os alunos estão entregando atividades muito completas e profundas nas salas de aula, mas talvez nunca se tenha aprendido tão pouco. Essa foi a conclusão da conversa que tive com um colega de profissão em um evento em uma ETEC (Escola Técnica Estadual) no último final de semana.

Ele relatou uma experiência que a maioria de nós, professores, já viveu: um aluno com dificuldade em determinado assunto, o que é normal, todo mundo tem suas fortalezas e fraquezas. Em sala de aula, esse aluno tem bastante dificuldade para realizar as atividades, mas, quando a atividade é para casa, ela vem super completa, nota 10. Na sequência, é aplicada uma atividade semelhante, presencialmente, e o resultado fica abaixo do esperado. E esse “fenômeno” não acontece somente nas salas de aula, seja no ensino médio ou na graduação: está acontecendo nas empresas também.

É muito comum ouvirmos relatos assim: “Meu filho faz todos os trabalhos, entrega tudo direitinho, mas vai mal nas provas.” “Na minha equipe tem uma pessoa que faz tudo com IA; se acabarem os tokens, é capaz de ele ir para casa, porque já não consegue trabalhar sem ajuda da IA.” Você já deve ter ouvido algo parecido por aí…

Como professor, tenho pensado muito em quais mecanismos podemos desenvolver para mitigar esse problema. Como criar conscientização e engajamento para que as pessoas não abram mão do processo de aprendizado em troca de um resultado rápido? Ainda não encontrei as respostas, mas já existem estudos tentando medir o tamanho do problema:

Em um estudo preliminar do MIT Media Lab, chamado “Your Brain on ChatGPT” (2025), 54 estudantes escreveram redações sob três condições: com ChatGPT, com Google e sem ferramenta alguma, e tiveram a atividade cerebral medida por eletroencefalograma. O grupo do ChatGPT teve a menor conectividade cerebral, mais dificuldade de lembrar o que havia escrito e, com o passar das sessões, passaram a copiar e colar a saída da IA com pouca edição. Os autores deram a isso o nome de Dívida Cognitiva (cognitive debt).

Outro estudo, realizado na Turquia com cerca de 1.000 alunos do ensino médio, deu a eles acesso livre ao GPT-4. Eles foram muito bem nas atividades de prática, mas, quando o acesso foi retirado, o desempenho foi 17% pior que o do grupo de controle, que nunca tinha usado a ferramenta.

Daniel Kahneman descreve, na “lei do menor esforço” (Rápido e Devagar, 2011), que o sistema analítico do cérebro só é ativado quando necessário, porque é custoso e “preguiçoso”: gasta muita energia. Existe uma atividade simples que faço com meus alunos e sempre dá certo, quer ver? Leia a frase abaixo


A rápida raposa castanha salta por cima do

do cão preguiçoso.

Percebeu que a palavra do está escrita duas vezes? Pois é, nosso cérebro é preguiçoso, se entende o contexto, economiza processamento.

Tendo a pensar que as pessoas estão usando a IA como esse atalho para fugir do processo de aprendizado e da responsabilidade com o trabalho entregue, não por maldade, mas por uma preguiça involuntária.

Passei os últimos dias pensando em um termo que chamei de Conhecimento as a Service: o conhecimento deixou de ser algo que se constrói e passou a ser algo que se acessa sob demanda. Parece que, neste momento da evolução tecnológica, a necessidade de aprender ficou em segundo plano, pois hoje é possível realizar de forma simples e rápida atividades que antes eram complexas e dependiam de profissionais capacitados. Na verdade, estudar ainda é necessário, pois é através do estudo que você encontra sua posição no mercado de trabalho e conclui o colégio, a faculdade, a pós-graduação, o mestrado etc. Mas agora com uma facilidade nunca antes experimentada: antes, você não podia simplesmente delegar uma atividade a uma inteligência artificial, precisava pesquisar e elaborar o trabalho por conta própria. Na minha época de escola, tinha que pegar o ônibus e ir a uma biblioteca pública, pois não existia o Google.

E nem dá para culpar a tecnologia. Definitivamente, ela não tem responsabilidade nisso. Nos casos de prazos insuficientes, regras de avaliação ou excesso de demanda, existe espaço para negociação. Não estou falando disso. Estou falando da decisão pessoal de usar a IA como atalho: do profissional que escolhe cortar caminho e do aluno que decide delegar o processo de aprendizagem a um modelo de linguagem.

Será que estamos na iminência de uma mudança no processo de aprendizado? Será que adquirir conhecimento não funcionará mais da forma como conhecemos? Será que o conhecimento vai virar uma commodity?

Quantas dúvidas…

E pensando nisso também, eu criei uma versão alternativa e atualizada do nosso querido Xtreme Go Horse, para esse novo momento da evolução tecnológica.

Conheça o MITM Protocol 😀
https://mitmprotocol.com.br

#InteligenciaArtificial #Educacao #Aprendizado

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