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UI Design

Por que usar GOMS em microtransações

Por que usar GOMS em microtransações, por Fábio Figueredo

Para mim, todo momento de férias, além do merecido descanso, é também uma oportunidade de estudar e buscar novas formas de ensinar. Nessas férias decidi ser mais ativo aqui no LinkedIn, compartilhando com vocês alguns assuntos que julgo importantes para quem, assim como eu, é apaixonado por Design e UX.

E para o primeiro mini artigo do ano, decidi escrever um pouco sobre a ferramenta GOMS e a importância do uso dessa ferramenta na análise das microtransações.

Imagine que você está usando um aplicativo para pedir comida. Você precisa encontrar o restaurante, escolher o prato, adicionar ao carrinho e finalizar o pagamento. Cada uma dessas ações pode ser analisada para entender se o processo é rápido, intuitivo e eficiente. Além disso, esses aplicativos muitas vezes oferecem mais de um caminho para realizar a mesma ação, como acessar o restaurante por meio de uma busca direta ou navegando por categorias. É aqui que entra o modelo GOMS, uma ferramenta que ajuda a estudar como as pessoas interagem com interfaces, identificando o que funciona bem e o que pode ser melhorado.

Os testes de microtransações em interfaces são cruciais para garantir não apenas a funcionalidade técnica, mas também a experiência do usuário e o alcance dos objetivos de negócio. Em um cenário onde microtransações são parte essencial de modelos de receita, como em jogos, aplicações de streaming e marketplaces, a precisão no design e na execução desses elementos pode impactar diretamente os resultados.

Para abordar essa questão de forma sistemática, o modelo GOMS (Goals, Operators, Methods, and Selection Rules) é uma ferramenta poderosa. Ele permite analisar a interação do usuário com a interface, identificando barreiras e oportunidades de otimização.

O que é GOMS e como ele funciona?

O GOMS é uma maneira de entender como as pessoas alcançam seus objetivos ao usar uma interface. Ele se baseia em quatro elementos principais:

  1. Goals (Objetivos): O que o usuário quer fazer? Por exemplo, comprar um item, assinar um serviço ou resgatar uma promoção.
  2. Operators (Operadores): Quais são as ações necessárias? Isso pode incluir clicar em botões, digitar informações ou navegar por menus.
  3. Methods (Métodos): Quais caminhos o usuário pode seguir para atingir o objetivo?
  4. Selection Rules (Regras de Seleção): Como o usuário decide entre diferentes métodos? Essa escolha pode depender de experiências prévias, preferências ou contexto.

Por que usar GOMS para microtransações?

Microtransações envolvem ações que precisam ser simples, seguras e rápidas. Usar o GOMS para analisar essas interações permite:

  • Identificar pontos de fricção: Onde os usuários encontram dificuldades que podem levar ao abandono da transação.
  • Otimizar o tempo: Reduzir os passos necessários para completar a microtransação.
  • Melhorar a experiência: Tornar o processo mais intuitivo e agradável.
  • Aumentar a acessibilidade: Garantir que pessoas com diferentes habilidades possam concluir as transações sem barreiras.

GOMS e acessibilidade

A acessibilidade é um aspecto fundamental em qualquer interface, e no Brasil, acessibilidade na web é lei (Lei de Acessibilidade Digital – Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000).

O GOMS pode ajudar a identificar barreiras que dificultam o uso para pessoas com deficiências. Por exemplo, se um botão importante está pequeno demais ou em uma posição de difícil acesso, isso pode ser um problema para pessoas com limitações motoras. Ao usar o GOMS, é possível ajustar esses detalhes para tornar a interface mais inclusiva.

Aplicando GOMS em um exemplo prático

Imagine uma aplicação de jogos que oferece microtransações para compra de moedas virtuais. O objetivo do usuário é adquirir moedas para desbloquear novos itens. Os operadores incluem clicar no ícone da loja, selecionar o pacote de moedas, confirmar a compra e finalizar o pagamento. Os métodos podem variar dependendo do meio de pagamento escolhido (cartão de crédito, PayPal ou carteira digital).

Ao modelar essas interações com o GOMS, é possível identificar que, por exemplo, o tempo para encontrar o ícone da loja é excessivo, ou que a confirmação da compra está gerando confusão devido à linguagem utilizada, ou que um dos caminhos para levar o usuário até a loja está gerando dúvidas. Esses insights permitem ajustes precisos que melhoram a usabilidade e aumentam as taxas de conversão.

Conclusão

Integrar o modelo GOMS nos testes de microtransações é uma estratégia eficaz para elevar a qualidade das interfaces e maximizar resultados. Em um mercado competitivo, onde a experiência do usuário é um diferencial, ferramentas analíticas como o GOMS podem ser o ponto de virada entre o sucesso e o fracasso de um produto. Além disso, ao considerar aspectos de acessibilidade, é possível criar experiências que não apenas atendam às expectativas, mas sejam inclusivas e acessíveis para todos.

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Fábio Figueredo

Fábio Figueredo

Pesquisador em Governança de IA · Professor · UX. Mais sobre mim · LinkedIn

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